13 de novembro de 2012

Moonrise Kingdom

Muito embora inusitado e surpreendente, o novo filme de Wes Anderson não foge à linguagem já vista em outros trabalhos do diretor, principalmente Os excêntricos Tenenbaums e A vida marinha com Steve Zissou. Neste Moonrise Kingdom (2012) estão também os ambientes estranhos, os personagens enigmáticos e os enredos inusitados que, ao contrário do que parecem, têm a função de mostrar que certos dramas são comuns apesar do contexto ou a forma com que são apresentados. Eis o mecanismo de Anderson.

Moonrise Kingdom é ambientado na década de 1960 em New Penzance, uma ilha na costa da Nova Inglaterra, e conta a história do jovem casal Suzy Bishop (Kara Hayward) e o escoteiro Sam Shakusky (Jared Gilman). Ambos são e se sentem deslocados nos grupos onde vivem e se identificam justamente por essa situação de desajuste. Não por acaso, então, depois de se conhecerem na apresentação de uma peça escolar e trocarem cartas por um ano, decidem fugir. Eles têm doze anos.

O interessante é notar como esse estopim desencadeia uma situação que envolve toda a ilha de New Penzance, explicitando as relações bizarras e disfuncionais de modo cômico e, ao mesmo tempo, incômodo, por talvez não serem tão bizarras quanto parecem. Tão logo se descobre que os dois jovens fugiram juntos, o escoteiro chefe do acampamento Ivanhoé (Edward Norton) e sua jovem equipe de escoteiros juntam-se ao policial Sharp (Bruce Willis) e aos pais de Suzy, Walt e Laura Bishop (Bill Murray e Frances McDormand), para iniciarem as buscas pelo casal. O que se segue é uma seqüência de peripécias que constroem o quadro geral daqueles personagens: a relação em ruínas de Walt e Laura Bishop; o caso de Laura com o policial Sharp; a disputa de poder entre os acampamentos de escoteiros e os pequenos dramas particulares de cada personagem que compõe a ilha.

Por isso, ao mesmo tempo em que Moonrise Kingdom é peculiar ao optar por certas movimentações de câmera e cores de ambientes, o que se vê são situações bastante corriqueiras. Aqueles problemas são tão reais e cotidianos que prontamente envolvem o espectador em sua suposta esquisitice. Ao optar pelo drama dos dois jovens, fica claro que Moonrise Kingdom é um filme sobre a puberdade ainda envolta pela ingenuidade da infância na iminência de ser rompida. E quem nunca passou por isso?