10 de novembro de 2012

"Laranja Mecânica" por Anthony Burgess


"Mas homens não são máquinas, afinal, e o limite entre um impulso humano e outro é sempre difícil. O tratamento de Alex consistiu em assistir a filmes violentos e sentir a náusea induzida. Tais filmes empregaram trilhas sonoras de música sinfônica como "amplificadores emocionais". Após seu tratamento, o delinquente reformado descobre que não consegue mais ouvir Beethoven sem se sentir desesperadamente doente. O Estado foi longe demais: invadiu uma região além de seu pacto com os cidadãos; fechou para sua vítima um universo de belezas amorais, a visão de ordem paradisíaca que grandes peças musicais transmitem. Perturbado por uma gravação da Nona Sinfonia, Alex tenta cometer suicídio, causando perplexidade e despertando compaixão entre os elementos liberais da sociedade; Alex, então, é submetido a uma terapia hipnopédica que o restaura à sua condição "livre" anterior. Despedimo-nos de Alex enquanto ele sonha com novos e mais elaborados métodos de agressão. A intenção era a de um final feliz."
(A condição humana, no incômodo limite entre o bem e o mal, Anthony Burguess)

[O texto completo está no site do Estadão. Recomendo fortemente.]