23 de novembro de 2012

Dinossauros

Num mundo inseguro e violento, qualquer encontro fortuito é intermediado pela desconfiança e pelo medo. Ainda mais em se tratando de encontros absolutamente ao acaso que acontecem nas ruas, metrôs ou pontos de ônibus em alta madrugada. Muito embora não estabeleça precisamente o lugar, deixando entrever apenas ser noite, Dinossauros, peça do dramaturgo argentino Santiago Serrano em cartaz neste mês de novembro em Brasília, apresenta o encontro de dois estranhos, um homem e uma mulher, num lugar ermo, num banco de praça (ou num ponto de ônibus ou em qualquer lugar).

Num jogo de desconfiança e curiosidade que aos poucos ganha forma, os personagens entabulam uma relação improvável e estabelecem cumplicidade: são, afinal, duas pessoas que, apesar de problemas diferentes, encontram-se num mesmo ponto da vida, abandonados e carentes. Não por acaso, então, tentando fugir dessa realidade que não conseguem (ou sabem) lidar, certo ar nostálgico e infantil vem à tona, marcando o tom desse encontro.

Não é fácil sustentar uma peça com apenas dois personagens, uma vez que a trama facilmente se torna cansativa ou inverossímil. No entanto, lançando mão de um texto singelo e muito bem armado, contando ainda com dois atores (Murilo Grossi e Carmem Moretzsohn) que conseguem dar vida e profundidade aos personagens, construindo-os com características e trejeitos marcantes, Dinossauros é uma peça que surpreende pela simplicidade e delicadeza. 

Ou seja, corre lá que ainda dá tempo:

Dinossauros
de 3 a 25 de novembro de 2012
sexta e sábado às 20h30 e domingo às 20h
no Teatro Eva Herz (Livraria Cultura – Iguatemi Shopping – Brasília)