12 de novembro de 2012

A despedida de Philip Roth

Em entrevista à revista francesa Les inRock, Philip Roth anunciou que parou de escrever. Sem estardalhaço ou ressentimento, apenas disse: 
"Além disso, não tenho intenção de escrever pelos próximos dez anos. Para dizer a verdade, acabei. 'Nemesis' será meu último livro". 
E isso pouco tempo depois de António Lobo Antunes também anunciar sua despedida. Não entendo exatamente a razão --- se é que existe uma. Tendo a considerar dois pensamentos: ou tudo que tinha para se dizer está dito ou se cansou de tentar dizê-lo. Mas penso que dividir em apenas duas possibilidades seria simplista demais. A coisa é tão mais complicada e tão mais simples que, de certa forma, resume-se ao anuncio de Roth feito semana passada: uma ideia que se desenvolve e desembaraça até alcançar seu ponto final que a princípio parecia desconhecido, mas estava na gênese da coisa toda --- "para dizer a verdade, acabei". Parar de escrever me soa exatamente como começar a escrever, ou seja, não é uma decisão pensada, fria, estratégica, mas algo espontâneo, inconsequente, inevitável. 

Enfim, exatamente como disse anteriormente, os livros ficam --- e ao menos isso é uma boa notícia.