31 de outubro de 2012

Aos 110 anos de Carlos Drummond de Andrade



Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.

Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.

(Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça, Carlos Drummond de Andrade)


Aproveitando: está aqui a programação de atividades do Dia D