28 de setembro de 2012

Derek Bailey



Derek Bailey socava harmônicos com violência para encontrar no breu de cada nota demônios escondidos no violão.

Na verdade, com um violão entre os braços, Derek Bailey, que tinha um demônio nos ombros, fugia das notas para encontrar o eco anterior ao som e assim buscar com precisão um novo sentido para ter entre os braços um demônio e sobre os ombros um violão.

Além disso, Derek Bailey usava uma palheta feita de dentes, pois nela estava contido o grito mais obscuro que lentamente encontrava reverberação no free improvisation sentimental de suas imensas sobrancelhas.

Por fim, no dia 25 de dezembro, aos 75 anos, Derek Bailey não morreu, mas foi procurar mais de perto o horror de notas improváveis em busca de outros demônios enquanto nós nos refestelávamos em jingle bells & perus de natal a imbecilidade de harmonias tolas e, sem querer, acatávamos ao pedido que ele deixou preso no traste de um violão em letras finíssimas

please don’t talk about me when I’m gone

nossos demônios em silêncio.

(Resenha sentimental #3)