Terça-feira, Novembro 25, 2008

I Jornada Sesc Alagoas de Literatura

... acontece entre os dias 12 e 29 de novembro e tem como tema os 70 anos de Vida Secas. Logo mais embarco para Maceió e no dia 29/11 participarei, no Sesc Centro, do bate-papo A Nova Literatura É Uma Literatura Nova? junto com os ecritores Tázio Zambi, Milton Rosendo, Francisco Malaquias e Brisa Paim, além da Lúcia Bettencourt, que irá mediar a conversa toda.


Mas a programação é imensa e, para quem puder, é uma boa. Aqui tem todos os detalhes.

No mais, o Sesc Centro fica na Barão de Maceió, 299.

Quarta-feira, Novembro 19, 2008

Beijando Dentes, o espetáculo

... aconteceu nos dias 10, 11 e 12 de novembro. Fui à estréia e, apesar da vontade, não pude ver as outras apresentações. Uma pena, pois grande parte do espetáculo é improvisação e fiquei bastante curioso para saber como seriam os demais dias. De qualquer forma, não apenas as improvisações me pegaram, mas todo o espetáculo.


Desde que soube da proposta do República Cênica, fiquei curioso para saber como seria ver na dança algo inspirado/influenciado por um conto. Pois bem, foi ótimo. Fiquei impressionadíssimo com o espetáculo que, justamente por senti-lo mais que depreendê-lo, tenho certa dificuldade em descrever.


Mas no geral, para mim, a idéia central da apresentação é a sincronicidade. Melhor dizendo, como a ilusão de sincronia não deixa saída: se ela acontece, levamos nossas relações ao extremo do grotesco; se não funciona, agredimos o(s) outro(s) como se fosse(m) ele(s) o(s) culpado(s).


Além dessas leituras, é claro, tem os dançarinos, que são excepcionais. E tem também a Ana Carolina Mundim, que coordenou as oficinas que deram origem ao espetáculo. Então, para vocês, parabéns. E muito obrigado.


E além deles, tem mais um monte de outras coisas que seria impossível reproduzir aqui. Então, para quem perdeu, paciência

Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Anda tudo tão corrido

... que nem tive tempo de atualizar este blog. Mas as apresentações de Beijando Dentes lá no Espaço Cultural República Cênica já aconteceram e foram ótimas - falo sobre elas num próximo post. E além disso, já fui e voltei de Fortaleza. Ótimo evento por lá - sobre o qual falarei num próximo próximo post. E continuo com outros projetos cá - sobre os quais não falarei num próximo próximo post, mas talvez no seguinte. E assim por diante.

(Espero que tão logicamente encadeado quanto parece.)

Quinta-feira, Novembro 06, 2008

O meu livro

... serviu como inspiração para o espetáculo de dança contemporânea Beijando Dentes, que será apresentado no Espaço Cultural República Cênica nos dias 10, 11 e 12 de novembro, às 20h30.




Inspirado livremente no conto "Às quatro e meia da manhã", de Maurício de Almeida, a proposta cênica Beijando Dentes (título também do livro do autor), busca discutir possíveis relações de conflitos que geram a incomunicabilidade entre seres humanos. Dois ou mais corpos. Uma relação. Entrecruzamento de pensamentos, silêncio ausente, desejos dormentes. Entorpecimento. Faltam as palavras que sobram: verborragia. Excesso de nada. Atrativa repulsão. Sôfrego sorriso. Dependente sedução. Dois ou mais corpos. E uma cruel afeição.

Vale dizer que o espetáculo é resultado de uma oficina-montagem orientada pela Ana Carolina Mundim.

Portanto:

Beijando Dentes
Espaço Cultural República Cênica - Rua Américo de Moura, 124 - Taquaral - Campinas / S.P
Tel.: (19) 3295-8503
Dias 10, 11 e 12 de novembro, às 20h30
Entrada gratuita

Terça-feira, Novembro 04, 2008

Foi lá

... no Diversos Afins, na vigésima sexta leva, que saiu o comentário do André de Leones (autor de Hoje está um dia morto e do recém lançado Paz na terra entre os monstros) sobre Beijando Dentes e Linha de Sombra, livro novo da Lúcia Bettencourt (que é autora também de A Secretária de Borges), comentário que reproduzo aqui.


APERITIVO DA PALAVRA (outubro 2008)
Por André de Leones

“Beijando Dentes” (Record), livro de contos de Maurício de Almeida. Eu li e reli e. O que acontece? Se eu tivesse de comentá-lo (talvez eu tenha, não sei) junto ao balcão do Bar da Dona Geni aqui em Sylvannya-Goyaz, ora, o que eu diria? Rascante. Não sei se as narrativas do Maurício são góticas, punks ou coisa parecida. Sei que elas são rascantes. Exemplo (página 9): “Suspendeu os ombros contraídos, afrouxou as panturrilhas e arrastou os pés num desânimo de séculos”. É o tipo de coisa que pega, e nem sempre de imediato. Eu li e reli e achei bom, muito bom, e depois, dias depois, de pé no meio da cozinha (esperando o café ficar pronto), a coisa bateu. E daí eu pensei em Faulkner. Um gosto de terra na boca. Nem é sangue, nem é carne, nem é couro. É terra mesmo. Um desconforto de séculos, não? Aquela velha tristeza ancestral, Maurício. Que acerta a gente de uma vez, bem no meio da nuca. Você sabe, há qualquer coisa de podre no ser humano. A gente, em sendo assim descompensado, escreve a respeito. Maravilhosamente bem, no seu caso.

Daí eu fui até Lúcia Bettencourt e seu “Linha de Sombra” (Record). Ali, uma tristeza algo domesticada, mas nem por isso menos incômoda. Elegante, sim. Tanto Maurício quanto Lúcia exibem um tremendo rigor formal. A diferença entre eles talvez esteja no tom. Lúcia fala baixo, de dentro da gente, a boca cheia de perdas. Maurício fala grosso, voz embargada aqui e ali, a boca cheia de terra. Em ambos, com a licença do senhor Wesley Peres, um inferno inteirinho em cada palavra.