Segunda-feira, Abril 28, 2008

Cabeça

Três noites consecutivas. Nas páginas, nas telas: os dedos de garras dos estranguladores do Rio. O sotaque de Pedro Espanhol, a barba de José do Telhado. Senghor, o humanista. Os escarros de Ousmane. As mãos de Jacqueline, os ombros de Kennedy. Sylvester, o Rocky. Nina e a casa assassinada. A bola na rede, os olhos no chão. O sono no sofá: o cansaço de minha cabeça povoada por fantasmas.

Um dia, quem sabe, escrevo sobre as novelas sangrentas que ando lendo, sobre Lúcio Cardoso e sua crônica. Articularei la civilisation de l'Universel com o Xala para explicar o Estado-Nação de Senegal. Descreverei em detalhes (colocarei até vídeos do youtube) os documentários, os filmes, os quadros. Se conseguir, explicarei também o motivo pelo qual torço pela Ponte Preta. Um dia. Quem sabe.

Domingo, Abril 27, 2008

Tenho certeza

Que um dia conseguirei manter um blog.

Então, vou continuar tentando neste aqui.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Transparência da Carne 2

Saiu a seguinte matéria, escrita por Gerson Paulo de Andrade, no site Curitiba Interativa:

Transparência da Carne: Balas metafóricas nada perdidas
Gerson Paulo de Andrade 26.03.2008

Um casal de atores talentosos e uma pesquisa consistente, basicamente o que se vê no espetáculo Transparência da Carne da Companhia República Cênica, de Campinas. Com texto de João Nunes e Maurício de Almeida, a própria companhia assina a direção, que poderia obter melhores resultados a partir da proposta de pesquisa desenvolvida e potencial dos atuantes.

Poético, o texto é mais um elemento a somar, na encenação que se vale de diversas linguagens para tratar da violência, de vidas perdidas a esmo, independentemente da época, conforme a citação de fatos históricos recentes, das guerras, do caos e violência urbana. Trata da passagem da vida entre a morte, do desenlace de almas num misto de realidade e fantasia. Das vítimas de balas perdidas que indistintamente atingem adultos e crianças. Dos crimes injustificáveis e das mais variadas manchetes de jornal que formam o caleidoscópio da barbárie humana.

O ator e atriz usam um figurino similar que dá mobilidade para executarem diversas ações. Amparados por inúmeros objetos exploram o espaço cênico, com atenção ao trabalho corporal. Há projeção de um vídeo com imagens bem construídas e na forma simples de sombra. Há coerência na sua classificação como lírico e dramático, pois é um espetáculo tocante, que ao longo de seu percurso sensibiliza e faz refletir. O trabalho é similar a tantos outros na linha de pesquisa e no tema abordado, mas, percebe-se seriedade e profissionalismo que demonstra que a República Cênica poderá atingir alvos certeiros no seu percurso de trabalhos relevantes.