14 de outubro de 2008

Em São Luis, na Feira do Livro

... foi assim:


'A literatura para mim ainda é um processo intuitivo'
Escritor Mauricio de Almeida revela suas influências literárias mais marcantes

Quem esteve no Salão do Escritor na noite de segunda-feira, 13, teve a oportunidade de conhecer aspectos da formação de um escritor, apresentados por Mauricio de Almeida, convidado da noite para a 2ª Feira do Livro de São Luís, promovida pela Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FUNC).

Mauricio de Almeida faz parte de uma nova geração da literatura. Ano passado foi o grande vencedor na categoria Contos, do prêmio SESC de Literatura, com a coletânea “Beijando Dentes”. De lá para cá, o escritor vem, segundo ele mesmo, adquirindo experiências e descobrindo-se, a cada dia, como autor. “Isso eu faço por meio da minha relação íntima com os livros. Compro aos montes”, revelou.

O escritor lembra que essa afinidade se deu quando ele ainda estava no colegial. “Eu tenho muita vontade de dizer que minha relação com os livros começou na infância, que eu tinha uma grande biblioteca em casa. Mas, a verdade é que só comecei a me apaixonar pelos livros quando li Shakespeare”.

Mauricio de Almeida ressalta que os primeiros contatos com a literatura, na escola, não foram muito positivos. Isso porque, diz ele, a leitura era feita por obrigação e para realizar o que muitos professores ainda fazem, que é a análise pura do discurso ou gramatical. “É por isso que muita gente não gosta de ler. Enquanto os próprios professores não se envolverem com a literatura, não mergulharem nesse mundo, os estudantes não irão se interessar pelas letras”, alerta. “Então, a leitura perde sua função introspectiva e se torna chata”, acrescenta.

E esse interesse se dá, segundo o autor, pela introspecção. “Eu, quando comecei a me interessar por Shakespeare e, consequentemente, pela literatura de maneira geral, os livros passaram a ser minha maneira de me relacionar com o mundo. Uma forma de falar de mim para mim mesmo”, diz.

Ligação com os fatos

Outro ponto destacado por Mauricio de Almeida é a ligação da literatura com a história. Ele destaca que, apesar de alguns escritores optarem por “dissociarem” uma coisa da outra, história e literatura devem estar sempre juntas. “Somos seres históricos. Se agimos de determinada maneira não é pela genética ou por que simplesmente queremos, mas por estarmos inseridos em um contexto, em um período histórico”, afirmou.

Essa valorização da História, para Mauricio de Almeida, se dá, também, por meio da valorização de autores. Não necessariamente de autores antigos, mas também de escritores com carga histórica acentuada. Ele citou Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e Graciliano Ramos como os maiores influenciadores de suas obras. “Mas isso não é um ‘ponto final’. Há ainda muito por vir, muita leitura a ser feita”, finalizou.

(texto e foto retirados do site da Feira do Livro de São Luís)


P.S.: A matéria ficou bem bacana, mas é difícil concentrar em alguns parágrafos uma hora de fala. Então, aos poucos, vou postando algumas coisas que disse por lá sobre minhas influências. Essa palestra, na verdade, foi toda pautada pela busca das minhas influências, fiz uma egotrip meio maluca com o microfone na mão, mas acho que valeu a pena. Ao menos, algumas pessoas pareciam interessadas. Adianto que a viagem valeu muito não apenas pelas descobertas que fiz sobre mim mesmo, mas principalmente pela Feira do Livro de São Luís, que e ótima, e pela cidade, que é linda.