7 de junho de 2008

Livro

Meu livro será lançado em menos de um mês. É verdade que tenho uma relação de amor e ódio com aquele livro, posto que, se é uma delícia vê-lo editado, é um inferno vê-lo editado, pois ele é/está passado. Parece lugar comum, mas não é: aquele livro já não diz muita coisa para e sobre mim. Ele dizia enquanto eu o escrevia, no entanto, agora, é/está distante.


Terei de falar sobre ele, talvez alguém queira saber os ondes, comos e tals e penso na dificuldade que será fazer isso. Vejo sentido no livro que escrevo agora – ou que, ao menos, tenho tentado escrever agora. Este faz sentido, é presente, pulsa para mim. Mas aquele, não. Espero, sim, que ele viva em outras pessoas, que elas o leiam e vivam aqueles contos. Espero. Pois, para mim, será um exercício bíblico ressuscitar os meandros daquela história.


Parece que estou reclamando, mas não. É uma constatação. Estou aprendendo a lidar com a idéia de que escrever é lidar também com o tempo – tal como ler ou sofrer.