24 de janeiro de 2008

A crise da criação ou o beco sem saída

Há inúmeras discussões sobre o fazer literário. E não tenho idéia de que lado – dos muitos – dessas discussões me posiciono. Eu deveria saber. Eu procuro saber, acredite. Leio livros, faço anotações sobre teses e artigos, decoro nomes e títulos, mas volta e meia encontro-me teoricamente órfão. Afinal, quando escrevo, escrevo apenas.

(É quase uma tentação alimentar a idéia da criação como um surto psicótico criativo no qual, em vez de atrocidades, rabisco grandes idéias nas paredes do quarto. Mas preciso me controlar, pois todo mundo sabe que não é assim. Não sabe?)

(Não quero também cair naquele discurso de sofrimento.)

(Tampouco no da diversão, escrita como terapia, exorcismo de fantasmas e afins.)

(Não quero cair em discurso algum, na verdade.)

(Mas é claro que não sou um imbecil: li e leio os clássicos, os jovens, os velhos, os mortos, os agonizantes e principalmente os vivos, estou interado na produção, eu mesmo produzo e quanto mais produzo mais interado estou na produção de todos em todos os lugares, ao menos o quanto agüento me interar, eu sei o que está acontecendo e me questiono e questiono aos outros, mas mesmo assim...)
(Eu preciso de um discurso, sei que preciso. Certo?)

E entre os parênteses todos continuo sem saber que rumos tomar. Ainda por cima quando vem aquela sensação de que, na verdade, cada escolha é um beco sem saída. Não é verdade – tanto que no Rascunho deste mês foi publicado um excelente texto, “O tradicional e o rebelde”, escrito por Cláudia Lage, sobre esse assunto. Não é verdade pois a idéia não é a escolha, mas o debate. A problematização. As questões.

E essas eu tenho aos montes.

Então escrevo. E quem sabe um dia arrisco um palpite.