29 de setembro de 2007

Um soco

E depois outro. E mais um. E assim ao longo da noite. Como é que devo me defender? Revidando? Protegendo o rosto? Jogando a toalha? Não há gongo que me salve e, por isso, mais socos. E muito depois de ter o supercílio aberto me ocorreu aquela música. Música essa que deveria ter cantando enquanto apanhava.

Tenho um peito de lata e um nó de gravata no coração
Tenho uma vida sensata sem emoção
Tenho uma pressa danada, não paro pra nada, não presto atenção
Nos versos desta canção Inútil
Tira a pedra do caminho, serve mais um vinho, bota vento no moinho, bota pra correr
Bota força nessa coisa que se a coisa pára a gente fica cara a cara com o que não quer ver

Música essa que não cantei. E não sei se me dói mais o maxilar ou o ódio por não ter cantado.