Sexta-feira, Janeiro 06, 2012

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"Nepomuceno tinha um olha quase compassivo, quando prosseguiu: -- Por toda parte, a presença da morte. Que medo, meu Deus. Quanto horror! E, no entanto, é preciso aprender a dizer o nome da morte. Vencer o ódio, absolutamente. Porque odiar dói demais. Se eu merecer, que Deus me dê a graça de morrer emocionado diante da vida. Comovido com a despedida. Inteiramente encantado com a luminosidade do adeus. Não, não quero ser um personagem de Thomas Mann. Quero morrer sem desolação, lançando ao mundo um último olhar de encantamento, talvez de compaixão. Porque é tão frágil, o mundo. -- Levantou a mão direita, um pouco em resignação, um pouco em saudação, quem sabe. E com esse meio gesto no ar, concluiu: -- Só assim a gente aprende a dizer o nome da morte..."

(Ana em Veneza, João Silvério Trevisan)

Segunda-feira, Novembro 21, 2011

Claro Calar sobre uma Cidade sem Ruínas (Ruinogramas)

Em Brasília, admirei.
Não a niemeyer lei,
a vida das pessoas
penetrando nos esquemas
como a tinta sangue
no mata borrão,
crescendo o vermelho gente,
entre pedra e pedra,
pela terra a dentro.

Em Brasília, admirei.
O pequeno restaurante clandestino,
criminoso por estar
fora da quadra permitida.
Sim, Brasília.
Admirei o tempo
que já cobre de anos
tuas impecáveis matemáticas.

Adeus, Cidade.
O erro, claro, não a lei.
Muito me admirastes,
muito te admirei.

(In: LEMINSKI, Paulo. Distraídos venceremos. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1999)

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Uma nota

"Este instrumento [o diapasão] produz um som estabelecido internacionalmente pelo Congresso de Londres, em 1939. Numa temperatura de 20º C, o diapasão possui uma freqüência de vibração de 440Hz, o que corresponde a nota Lá"

Quarta-feira, Setembro 07, 2011

Conto

Conto meu publicado nesta sexagésima leva da Diversos Afins


e outras coisas bem interessantes.

Sexta-feira, Setembro 02, 2011

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"- Isso é maravilhoso - retrucou ele, muito ternamente, estonteado. Nosso primeiro duelo chegara ao fim.
Houve uma grande insanidade em tudo isso, mais nas explicações dele do que em suas ações iniciais. Isso foi realmente uma cena de ciúmes ou a primeira expressão de sua instabilidade em relacionamentos humanos, sua irresponsabilidade? Pela primeira vez estou diante de uma natureza mais complicada que a minha. Talvez nós nos tenhamos tornado mais interessantes um para o outro à custa da confiança. Ele está feliz por ter me visto como um instrumento, emitindo todo o seu âmbito de sons. Em lugar daquela abertura cega para ele, convoco minha inteligência".

(Henry & June, Anaïs Nin)

Domingo, Agosto 28, 2011

Recomendo

Blogue do Daniel Russell Ribas, Ainda sobrevivendo:

Sexta-feira, Agosto 05, 2011

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"Tenho o olhar preso aos ângulos escuros da casa
tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e
com elas quero construir um templo em forma de ilha
ou de mãos disponíveis para o amor....

na verdade, estou derrubado
sobre a mesa em fórmica suja duma taberna verde,
não sei onde
procuro as aves recolhidas na tontura da noite
embriagado entrelaço os dedos
possuo os insectos duros como unhas dilacerando
os rostos brancos das casas abandonadas, á beira mar...

dizem que ao possuir tudo isto
poderia Ter sido um homem feliz, que tem por defeito
interrogar-se acerca da melancolia das mãos....
...esta memória lamina incansável

um cigarro
outro cigarro vai certamente acalmar-me
....que sei eu sobre as tempestades do sangue?
E da água?
no fundo, só amo o lodo escondido das ilhas...

amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso
estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo
hoje, vou correr à velocidade da minha solidão
"

(Sem Título e Bastante Breve, Al Berto)

Domingo, Julho 24, 2011

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"Resolvi chamá-lo. Miss Baker referia-se a ele durante o jantar, e isso serviria como uma apresentação. Mas não o chamei, pois que ele, subitamente, me deu a impressão de que se sentia contente de estar sozinho: estendeu os braços, de maneira curiosa, em direção da água escura e , apesar de me encontrar bastante distante dele, poderia jurar que ele se achava trêmulo. Involuntariamente, olhei em direção do mar - e não distingui coisa alguma, exceto uma única luz verde, minúscula e distante, que bem poderia ser a extremidade de um ancoradouro. Quando tornei a olhar para Gatsby, ele havia desaparecido, e eu estava de novo sozinho na inquieta escuridão."

(O grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald)

Sexta-feira, Julho 15, 2011

Prêmio

O curta metragem 3x4, que escrevi em parceria com o diretor Caue Nunes, venceu a categoria Melhor roteiro de curta regional do IV Festival de Paulínia.


3x4 é um curta metragem de 5 minutos que conta a história de um escritor com bloqueio criativo.

Quinta-feira, Julho 14, 2011

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"eu engoli Brasília

em paz com a cidade,
meu fusca vai
por esses eixos,
balões e quadras,
burocraticamente,
carimbando o asfalto

e enviando ofícios de
estima e consideração
ao sr. diretor"

(Nicolas Behr, Poesília - Poesia Pau-Brasília)

Sexta-feira, Julho 08, 2011

Notas e notícias

Nesta semana saíram algumas notas e notícias sobre trabalhos que ando fazendo por aí.

No portal da TV Cultura saiu uma matéria comigo e com o André de Leones sobre o desafio de ser um jovem escritor:

http://cmais.com.br/jovens-escritores-um-desafio-grandioso

A matéria é bem bacana e nela falei alguma coisa sobre o meu próximo livro, que está finalmente nos finalmentes.

No site da EPTV saiu outra matéria, mas sobre o curta-metragem 3x4, que escrevi em parceria com o diretor Cauê Nunes.

http://eptv.globo.com/campinas/especiais/NOT,1,1,352767,Curta-metragem+de+campineiro+sera+exibido+fora+do+Pais.aspx

Matéria interessante que retrata um pouco de como foi conceber o curta-metragem até agora, quando o curta participará do Festival de Paulínia (a exibição será dia 13/07, às 18h). Além disso, saiu no Globo do final do mês passado, na coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, a nota de que o 3x4 foi exibido no 9º Cine Fest Petrobrás New York. Não tenho o link da matéria, mas a coisa caminhou nesse sentido: “o público que lotou o cinema novaiorquino de Tribeca aplaudiu de pé a exibição do curta 3x4, de Caue Nunes”.

Segunda-feira, Junho 27, 2011

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"[...] Novoselic was in California recently to play a couple of songs with Foo Fighters, a one-off gig. Grohl, Novoselic and Pat Smears (a current Foo and former guitarist with Nirvana) did a run-through of the set list. After that, they found themselves alone, with time to kill.

"Krist is on bass. Pat's on guitar. I'm on drums," says Grohl (and ridiculously, at this point, my heart starts to thump). "Krist says, 'You wanna run through some oldies?' Me and Pat look at each other. I mean, that's something I've never considered before. I was, like [queasily], 'OK.'"

Which song did you…?

"Krist says, 'Fuck it, let's do "Smells Like Teen Spirit".' And Pat starts playing, and we kick into it. I haven't played that drum beat in 17 years."

How did it feel?

"It was crazy. It was like… a ghost. It was heavy."

Grohl wants to tell a joke – his instinct is to defuse any heaviness – and I want to ask a question. "Our studio manager was the only guy there," says Grohl, going first, "and when we'd finished he was like, 'Hey, you should record that.'" Then I ask my question. Did anybody sing?

"Nobody sang," says Grohl. [...]"

Domingo, Junho 19, 2011

Livro



Livro de estréia do André Timm.

Tal qual a lógica de um edifício, os enredos de Insônia se superpõem numa armação de intrigas que tem como base o cotidiano de pessoas que vivem juntas, mas não se conhecem. É no sutil encontro que existe em estar vendo e ser visto que as histórias se cruzam: por entre salas, corredores e elevadores, vemos o desvario de um compositor frustrado, o jogo bizarro de um seqüestro e vemos ainda outros acontecimentos que desafiam a memória e testam obsessões.

Recomendo.

Sábado, Junho 11, 2011

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"– Escute!

Em algum lugar lá fora, não longe, talvez na praça do mercado, uma orquestra de tambores estava tocando, juntando pouco a pouco os fios soltos de força rítmica em um poderoso desenho compacto que já estava girando uma ainda imperfeita roda de sons pesados, avançando para a noite. Port ficou quieto um momento, depois disso, num sussuro: – Isso, por exemplo.

– Não sei – disse Kit. Ela estava impaciente. – Sei que não me sinto parte desses tambores lá fora, por mais que eu admire os sons que fazem. E não vejo razão por que eu deva querer me sentir parte deles. – Ela achou que essa declaração assim direta colocaria um rápido fim na discussão, mas Port estava teimoso essa noite."

(O céu que nos protege, Paul Bowles)

Terça-feira, Maio 24, 2011

Quarta-feira, Abril 06, 2011

Sexta-feira, Abril 01, 2011

Poema da eternidade sem vísceras

Na última lua eu odiava as montanhas
minha memória quebrada não pode receber
o amor
eu tomava sopa aguardando meus amigos desordeiros
no outro lado da noite
este é o meu estranho emprego este mês
outro tempo quando o velho Gide se despachava para a África
meu coração era sólido eu dançava
eu assistia uma guerra de chapéus e as brancas
lacerações dos garotos no Ibirapuera angélico
terreno vazio onde eu mastigava tabletes de
chocolate branco
no próximo instante eu vi árvores e aeroplanos com bigodes
e lágrimas de Ouro
no Ibirapuera esta noite eu perdi minha solidão
ROBERTO PIVA TRANSFERIDO PARA REPARO DE VÍSCERAS
todos os meus sonhos são reais oh milagres epifanias
do crânio e do amor sem salvação que eu sabia presos
no topo da minha alma
meu esqueleto brilhava na escuridão
repleto de drogas
eu nunca estou satisfeito e ando um incorrigível demônio
lunático com os dez dedos roídos tamborilando num campo
magnético
memória do arsênico que eu dei a uma pomba
os olhos cinzentos do céu meu oculto Totem espiritual

Segunda-feira, Março 28, 2011

The Laughing Heart

para Ana M.

"your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you."

Charles Bukowski

Quinta-feira, Março 24, 2011


You'll be the victim of your own dirty tricks

Sexta-feira, Março 18, 2011

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'"According to Lorne Michaels, the executive producer of “Saturday Night Live” and an executive producer of “30 Rock,” Baldwin “guards against enjoyment.” (Michaels is a friend of Baldwin’s and was a model for the Donaghy character.) “I’ll say, ‘Alec, you have one of the best writers in television’ ”—Tina Fey—“ ‘writing this part for you. It’s shot in New York, where you chose to live. You work three days a week, you get paid a lot of money, you’re getting awards. It’s a great time in your life. It’s an all-good thing. And, if you were capable of enjoying it, it would be even better.’ ” Or, as William Baldwin, one of Alec’s three younger brothers, said recently, “There’s always something for him to fucking whine about"'.

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2011

Literatura:

Estas anotações – e é indiferente saber se nelas existe uma grande ou pequena dose de realidade – são uma procura, não de vencer a enfermidade da época com rodeios ou paliativos, mas um intento de converter a própria doença em objeto de interpretação. Significam literalmente uma jornada pelo inferno, uma caminhada algumas vezes angustiosa, outras cheia de entusiasmo através do caos de um mundo anímico tenebroso, caminho percorrido com a vontade de atravessar o inferno, de oferecer a face ao caos, da padecer o mal até o fim.

(O lobo da estepe, Hermann Hesse)

Domingo, Janeiro 30, 2011

Resenha sentimental #4


Nesta cidade que é cimento não há ritmo ou invenção, mas motores compondo uma harmonia desajeitada, um improviso de acaso, humores e rumores de máquinas lentíssimas se arrastando, grotescos metais que arrotam em monóxido de carbono a música (a música?) desorganizada em tons e não-tons e atons e assim por diante até se perderem nas minúsculas caixas de som do meu laptop que byte a byte tentam reproduzir cítaras de Ravi Shankar & George Harrison entoando mantras em centenas de cordas para ninar o ocaso dos seres que habitam a improvável arquitetura desta mesa, finas lâminas de madeira estruturando (em pregos e puxadores) gavetas: a mitológica assombração do passado a salvo num retângulo, um mundo à parte do qual me esquivo e me evado – entretanto, nesta cidade que é cimento, nesta mesa que é madeira, o tempo convoca.

(Ravi Shankar & George Harrison)


Domingo, Janeiro 23, 2011

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"Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse 'para onde estamos indo?' - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: 'estamos sempre indo para casa'".

(Lavoura Arcaica, Raduan Nassar)

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

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"Para adquirir o bem que querem, os audaciosos não temem o perigo, os avisados não rejeitam a dor; os covardes e embotados não sabem suportar o mal nem recobrar o bem, limitam-se a aspirá-los, e a virtude de sua pretensão lhes é tirada por sua covardia; por natureza fica-lhes o desejo de obtê-lo. Esse desejo, essa vontade de aspirar a todas as coisas que, uma vez adquiridas, os tornariam felizes e contentes, é comum aos sensatos e aos indiscretos, aos corajosos e aos covardes. Resta dizer uma única coisa, a qual não sei como falece natureza aos homens para desejá-la."

(Discurso da servidão voluntária, Etienne la Boétie)

Domingo, Janeiro 02, 2011